Domingo, Julho 23, 2006

Uma bomba atômica.

   Eis a era do caos, da corrupção, da passividade, da descrença, da imobilidade... era da negação. Há quem acredite que a humanidade está em franca evolução. A ciência, a pleno vapor, proporciona grandiosas descobertas: surfando contra o moralismo moderno realiza a sua desenfreada corrida pelo conhecimento. A astronomia desempenha méritos igualmente honráveis. Mas, algo não soa agradável aos nossos ouvidos: o que deveria repercutir em prosperidade mais parece um crepúsculo.
  A tolerância tornou-se a virtude dos tolos, dos fracos, dos ignorantes; a democracia um sistema dos pastores... E... dos rebanhos! A película reflete uma comédia, onde o comediante usa a platéia como mote de seus gracejos. E eles riem, e com gosto. Deliciam-se com o empenho exemplar que dispensam aos seus caprichos.
  Não há necessidade de identificar os atores desse folhetim, para isso é mais fácil lembrar-mos quem somos nós! A verdade é uma só, nua e crua: quem não se manifesta não encontra representante a altura, e, no final das contas, fica com a desconfortável primeira fila de poltronas do auditório. E ainda há aqueles que, para evitar o torcicolo, mantém os olhos fixos ao chão.
  Sem mais delongas, em breve retornarei. 

Domingo, Julho 16, 2006

O que é a música?

  A definição mais simples e direta a essa pergunta é: música é a arte do som. Isso é o que nos diz qualquer compêndio elementar de música. Mas será que o conceito de música pode ser resumido somente nessas poucas palavras? Será que ela é abrangente o suficiente para contemplar tudo o que hoje as pessoas denominam como música? O que hoje pode ser considerado mais próximo à pura arte do som? A multiplicidade de gêneros musicais existentes hoje é flagrante. Seria inviável citar todos aqui: rock, sertanejo, MPB, techno, metal, jazz, clássica e etc. A esses ainda poderia citar outro rótulo: música pop. Este termo foi muito usado na era romântica, onde existia a arte popular (arte feita pelo povo, anônima) e a arte “fantástica” (que era a arte fruto da criação de um artista). O significado que este termo atingiu hoje continua com um sentido muito semelhante, porem se refere mais a forma como a música é feita e exposta à mídia. Diante de tanta diversidade, seria correto definir o conceito de música pura? O que poderia ser uma música pura? Posso arriscar aqui alguns parâmetros para este conceito: uma música pura deveria ter um valor atemporal e amoral.

  Atemporal: se o seu valor é válido independente do tempo em que vivemos, das condições histórias e do idioma falado. Amoral: se é despido de qualquer referencia a valores morais. Ora, se a música possui letra é lógico que ela está escrita em algum idioma, e consequentemente não pode ter valor atemporal, já que aquele está vinculado ao país onde o idioma é falado e sua mensagem não poderá ser entendida por todos, universalmente, mesmo que escrita em um idioma extremamente conhecido, como o inglês. Se eu preciso de uma letra para passar a mensagem desejada pelo artista o valor da música se perde, pois ele deveria estar totalmente contido em sua própria substância, não havendo necessidade de se procurar alguma extensão ou significação externamente, seja em um dicionário ou em algum livro de história.

  Á partir desse raciocínio segue se outra questão: é possível uma música pura, verdadeiramente atemporal e amoral? Existe ou existiu algo assim? Procurando entre os gêneros atuais, são poucos os que poderiam se adequar a esse conceito. Alguns estilos de rock instrumental, blues ou jazz modernos estão entre eles. A principal característica que permitiu essa classificação é a ausência de letra, que por si já garante a ausência de valores morais e temporais da obra. Música clássica, em sua maioria, também pode ser incluída nessa classificação. Mas pode ocorrer, mesmo nesse caso, da liberdade artística ser limitada. Muitas foram escritas seguindo-se regras ditadas pela igreja, definindo-se fronteiras as quais a inspiração artística não poderia transpor. Teríamos então uma música teoricamente pura, mas não seria obra do mais puro e livre alento artístico.

  Não quis aqui desprezar ou me desfazer de qualquer cultura musical, muito menos concluir que estes não são dignos de serem chamados de música ou arte. Inclinei-me apenas a demonstrar que existe algo o qual podemos denominar “música pura” e que ela está ai, disponível aos admiradores da mais pura expressão artística. "A música é capaz de reproduzir em sua forma real, a dor que dilacera a alma e o sorriso que a inebria." (Beethoven).